O aconchego.
O bem-estar.
O que eu sinto assim.
Contigo.
Vem caminhar comigo, escrever no meu braço, deixa-me mordiscar a tua orelha, calça os meus chinelos, deixa-me espreitar a tua gaveta, aperta-me e aconchega-me no teu calor, deixa-me sentir a tua respiração, um olhar mais demorado, deixa-me respirar o teu perfume, vem conhecer estes recantos, partilha o teu estado comigo, vamos fazer migalhas, chegar a casa e sentir o conforto dos teus braços, vamos falar de coisas sérias, podemos ir para o nosso esconderijo, vamos fugir para outra existência, vamos para a nossa existência, vamos só ser felizes.
Devaneio da falácia da paixão, da companhia, do acreditar no amor.
Mais um texto onde posso tirar formas e maneiras, ou maneiras e formas, de exprimir aquilo que vai cá dentro. Palavras dessas, que dizes, preciso de ti, adoro-te, amo-te, palavras à toa, que quase já não bastam, olha, palavras que saem e que não transbordam de verdade quando assim o deveriam fazer.
O sentido amplo, completo, forte, responsável, reconfortante da palavra amor, que eu deposito em ti, o que consegues significar para mim, não tem descrição.
A maneira como me invades, como me ocupas, como lutas para permaneceres em mente, como não despegas da minha imaginação.
É bom sentir-te.
O teu sopro incide sobre o meu pescoço quando suspiras e sinto o meu corpo reagir como sempre reagiu em relação a ti. Ganha vida. O meu coração começa a bater mais depressa, a minha respiração a intensifica-se, o meu âmago transforma-se num suave e ardente poço de desejo.
O teu corpo começa a reagir ao meu. Sinto o bater do coração a acelerar, o toque, a respiração. Fecho os olhos e aspiro-te, absorvo-te por completo.
Estou subitamente embriagada por ti.
Ébria de desejo.
“Receio que mais nada tenha a recear
Temo que mais nada tenha a temer
Anseio por ter mais que ansear
Amo-te por mais nada saber fazer”
Eu quero assim para todo o tempo.
Vamos ser assim se não sabemos ser de outra maneira.
Deliciosamente, amo-te como quem ama de verdade.
(Presa a ti)
Isabel Monteiro
domingo, 21 de setembro de 2008
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